Treino Descalço 2/3 - Porque retirar os tênis para treinar?

Em uma das postagens anteriores falamos sobre a estrutura do pé. Naquele texto trouxemos um estudo que cita “o core do pé”, um termo muito bem empregado e que para nós do Método Linha Z faz muito sentido. Abordamos toda a importância de dar atenção para a musculatura intrínseca do pé durante o treinamento, e enfatizamos que o treino descalço é uma boa estratégia para conseguirmos atingir esse objetivo.

Nesta publicação gostaríamos de falar sobre a prática diária do treino descalço com nossos alunos, e o porque consideramos tão importante eliminar o uso do tênis durante, principalmente, o treinamento de força. O Método Linha Z presa o treino descalço, em nossos Centros de Treinamento a utilização de tatame na maior parte da área tem sua fundamentação na nossa exigência pela não utilização de tênis durante o treino.

O pé é a nossa base, então como ele se comporta e tudo que acontece entre ele e o solo terá importantes consequências nas estruturas acima, como por exemplo, joelho, quadril e coluna lombar. Os dois principais motivos que nos fizeram optar, há anos atrás, pelo treino descalço são: a possibilidade de total visualização do pé do aluno por parte do profissional, e também pela maior facilidade em criar no praticante a consciência sobre o comportamento do seu pé durante a execução dos movimentos. Todos esses aspectos otimizam a aplicação de estratégias mais assertivas a fim de melhorar o padrão de movimento do aluno.


1. Percepção de padrões disfuncionais e erros técnicos:

Diferentes tipo de pisada associadas ao pé plano (chato) e ao pé cavo.

ARCO PLANTAR: O arco plantar faz parte da estrutura anatômica do pé, e padrões disfuncionais de arco plantar são bem comuns na população, os chamados pé plano (arco plantar diminuído) e pé cavo (arco plantar aumentado). Eles irão influenciar no comportamento de estruturas acima, como os joelhos por exemplo.

Acompanhe esse exemplo! Ao analisarmos o aluno realizando um agachamento, não é raro encontramos simultaneamente diminuição do arco plantar e o comportamento valgo dos joelhos. Esse mecanismo pode sobrecarregar principalmente região medial dos joelhos, e essa sobrecarga se potencializar se pensarmos em um agachamento com sobrecarga externa. Nesse caso, o profissional precisa intervir solicitando que o aluno ative o “pé em garra”, ou seja, espalhe os dedos e agarre o solo com os dedos do pé, essa estratégia estimula a musculatura intrínseca da sola do pé e auxilia no aumento do arco plantar. Com o comando adicional de projetar dos joelhos para fora toda o padrão motor do agachamento do aluno em questão irá melhorar.

Toda essa análise não pode ser feita se o profissional não tem a visualização do pé do aluno, como acontece no treino com uso do tênis. Se o aluno estivesse com tênis no exemplo acima, o profissional veria apenas a projeção dos joelhos para dentro (valgo dinâmico), talvez solicitaria a proteção dos joelhos para fora, a fim de corrigir a técnica, mas não estaria intervindo na raiz do problema (arco plantar diminuído). Então nos perguntamos, como analisar o arco plantar do meu aluno de tênis? 🤔


PRESSÃO EQUILIBRADA: Outra questão que deve ser abordada é que além da distribuição correta do dedos e da ativação do arco plantar, a pressão que o pé do praticante irá exercer no solo durante a realização de qualquer movimento também terá influências nas estruturas acima. Em exercícios dominantes de joelho, como agachamentos e passadas, a pressão precisa ser levemente maior nos calcanhares (60% nos calcanhares e 40% no restante do pé). Nesses exercícios, toda vez que o calcanhar perde contato com o solo, ou menos que isso, o calcanhar permanece no solo, mas a pressão está maior na região do antepé/dedos que no calcanhar, poderemos ter um aumento da sobrecarga na região frontal do joelho, podendo gerar desgaste e dor. Como analisar essa pressão se meu aluno está utilizando tênis? 🤔


2. Orientação e formação da consciência no praticante:

Talvez o motivo mais importante de treinar descalço é criar no aluno um entendimento sobre seu pé e sobre todas as questões citadas anteriormente, ou seja, criar um entendimento de como seu pé deve se comportar durante a execução dos exercícios. Com o aluno compreendendo minimamente esses conceitos, a aprendizagem e automatização da técnica do movimento se torna otimizada. Assim, teremos maior segurança, qualidade e eficiência no treinamento. Precisamos ensinar nossos alunos a treinar, e isso inclui ensiná-los sobre arco plantar, pé em garra, distribuição da pressão (...)

Treinar descalço significa respeitar a anatomia pé. Normalmente, as pessoas passam a maior parte do tempo utilizando sapatos, tênis, botas, enfim calçados que comprimem e confortam o pé. Perdemos a capacidade de ativação de músculos intrínsecos e mais que isso, muitas vezes perdemos o formato natural dos dedos. Nós, profissionais do movimento, temos o dever de retirar o tênis do nosso aluno. Se você trabalha em um contexto que não é possível o treino descalço, aconselhamos que procure pelo menos algum momento para que isso possa ser feito, e mesmo com a utilização de tênis para treinar, preste atenção no pé do seu aluno.



🔗 Indicações:

- Post Blog Escola Villeroy "O core do pé"

- Vídeo/Post Instagram @metodolinhaz "Agachamento descalço"

- Instagram @thefootcolllective

Texto por

Natália Nunes

Coordenadora Geral Escola Villeroy

📧 natalia@timevilleroy.com.br

@nataliamsnunes

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