O que realmente é Treinamento Funcional? 🤔

Atualizado: 11 de Ago de 2020

A resposta para a pergunta "o que é treinamento funcional?", apesar de muito clara para profissionais que estudam o tema, ainda não é consenso entre a totalidade de profissionais e estudantes da área do movimento. Muitos ainda acreditam que o treinamento funcional se resume a exercícios em base instável; ou quando imaginam o treinamento funcional pensam em escada coordenativa, corda naval, exercícios com cones; e não é raro quem ainda tenha muito forte a imagem do “circuito funcional” como definição. Essa discrepância de conhecimento tem origem em como o treinamento funcional foi inserido em grandes redes de academias há anos atrás, que vendo o interesse do público nesse novo método de treinamento, acrescentaram à sua grade de horários o "Circuito Funcional", onde era comum que um profissional atendesse grande número de alunos por hora, e todo o cenário levava para um modelo de aula em circuito, mas sem efetivamente contemplar as verdadeiras ideias do treinamento funcional. Esses equipamentos/exercícios e a forma de treino em circuito fazem sim parte do treinamento funcional, porém são apenas uma pequena parcela, nem de perto são capazes de definir “o que é o treinamento funcional.”


O treinamento funcional está muito mais ligado ao conhecimento que o profissional tem sobre o movimento humano, sobre funções das estruturas do corpo e sobre mecanismos de lesão, do que com os equipamentos propriamente ditos. Gostamos de trazer como definição uma frase que Boyle cita em seu livro Avanços no Treinamento Funcional: o treinamento funcional é a aplicação da anatomia funcional no treinamento. Ou seja, o profissional que atua com treinamento funcional deve entender de funções articulares, por exemplo, e como elas se relacionam entre si e com outras estruturas; entender a influência do equilíbrio muscular no desempenho e em risco de lesões; deve dominar definição estrutural e funcional de core e qual sua importância no movimento; enfim, deve ser capaz de compreender o movimento humano de forma geral e aplicá-lo ao treinamento.


Trecho extraído do livro Avanços no Treinamento Funcional de Michael Boyle:

“(...)

Para mim, função é essencialmente o propósito. O treinamento funcional pode, portanto, ser descrito como um treinamento com um propósito.

Treinamento funcional e treinamento em superfície instável não são sinônimos. O treinamento em superfície instável é um aspecto do processo de pensamento mais amplo, que forma o treinamento funcional. Infelizmente, esse treino de equilíbrio instável se tornou sinônimo de treinamento funcional, que muitos consideram a mesma coisa.

O treinamento funcional não tem muito a ver com os artefatos usados pelos fisioterapeutas em reabilitação, mas sim com o conhecimento que os fisioterapeutas adquiriram sobre o porquê das lesões ocorrerem. É aí que as pessoas ficam confusas não se trata de artefatos; trata-se de informações.

O treinamento funcional desvia o foco dos exercícios para incorporar os músculos estabilizadores, pois nele está a fonte das lesões segundo os fisioterapeutas.

A observação do treino de atletas colegiais ou profissionais de fisiculturismo, levantamento de peso básico e olímpico começou a fazer cada vez menos sentido conforme eu expandia meus conhecimentos. Não que eu não apreciasse as contribuições desses esportes, apenas percebi que havia muito mais à medida que eu começava a desenvolver uma compreensão mais profunda da anatomia e dos mecanismos de lesão.

O que o treinamento funcional realmente faz é a aplicação da anatomia funcional do treinamento. Considera o que conhecemos e usa essas informações para selecionar exercícios que reduzam a incidência de lesão e melhorem o desempenho. O treinamento em superfície instável é uma progressão potencial, mas não o estímulo fundamental. (...) " Michael Boyle (2015)

Portanto, treinamento funcional não é circuito metabólico, ou circuito funcional, como queiram chamar. Treinamento funcional é o entendimento sobre as funções das estruturas do corpo, como elas se relacionam, e como elas irão influenciar na demanda do praticante, seja ele atleta profissional, atleta amador, idoso, criança ou adulto. Dentro do treinamento funcional estarão presentes exercícios de mobilidade, de força e de condicionamento cardiovascular, envolvendo assim uma grande quantidade de valências físicas.


LIBERDADE AO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA

Entendemos que a disseminação do treinamento funcional contribui para libertar e valorizar o profissional da Educação Física, que, ainda hoje, enfrenta muitos empecilhos e desvalorização em sua prática profissional. Hoje, os profissionais não dependem de grandes academias para ministrar suas aulas e conquistar seus alunos. Com pouca estrutura e um conhecimento aprofundado é possível trabalhar em parques, praças, condomínios, em qualquer lugar. Além disso, o nosso público, muitas vezes leigo no assunto, identifica melhor a importância do trabalho do profissional e percebe que aplicar o treinamento requer informação, conhecimento e capacitação do profissional, aspectos esses que acarretam a valorização da profissão.


📚 Referências:

Boyle M. Avanços no treinamento funcional. Artmed, 2015.


Texto por

Natália Nunes

Coordenadora Geral Escola Villeroy

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@nataliamsnunes


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