Dor lombar e Mobilidade de Quadril 2/3

Já trouxemos, em post anterior, o tema das funções articulares, e introduzimos importância da correta relação entre mobilidade de quadril e estabilização da coluna lombar (caso não tenha visto esses posts, clica aí e da uma olhada). Hoje queremos dar continuidade neste tópicos trazendo algumas evidências.

Dores lombares crônicas e não-específicas (ou seja, sem uma causa patológica conhecida) são incrivelmente comuns e atingem 80% da população mundial. Além disso, dores lombares estão associadas a comorbidades e disfuncionalidade, sobrecarregando o sistema de saúde num contexto geral. Além disso, em torno de 65% das pessoas com dores lombares sofrem por pelo menos um ano de forma ininterrupta (Avman et al., 2019).

Felizmente, existem algumas estratégias de detecção e prevenção de dores lombares. A interação de movimento entre a articulação do quadril e a coluna vertebral tem sido estudada desde a década de 1990. A proximidade anatômica entre quadril-coluna lombar e suas contribuições associadas à cinemática e função lombo-pélvica são reconhecidas como fatores relacionados a dores lombares. Uma questão muito interessante é que assimétricas e limitadas amplitudes de movimento do quadril parecem estar associadas com dores lombares crônicas.

Em um estudo extremamente completo e recente, Avman e colaboradores (2019) realizaram uma revisão sistemática da literatura sobre:

- Relação entre dor lombar e mobilidade de quadril;

- Se intervenções para aumentar a mobilidade do quadril também reduzem as dores lombares.

Os autores revisaram 24 estudos experimentais sobre estes tópicos. Embora haja poucos estudos de alta qualidade analisando estes aspectos (segundo os autores), parece que principalmente pouca mobilidade de rotação interna do quadril está associada com dores lombares crônicas. Faltam estudos experimentais específicos e bem desenhados sobre este tema.

Há alguns estudos experimentais mais antigos trazendo informações sobre este tópico. Em 1988, Mellin avaliou a mobilidade dos quadris em 301 homens e 175 mulheres que sofriam de dor lombar crônica ou recorrente. O grau de dor lombar foi avaliado com um questionário. Flexão, extensão, rotação interna e flexibilidade dos isquiotibiais do quadril nos homens, e flexão e extensão do quadril nas mulheres tiveram correlações negativas e estatisticamente significativas com a dor lombar. Entre as correlações entre a mobilidade do quadril e da coluna lombar, a flexão e extensão do quadril com a rotação lombar foram as mais fortes. Ou seja, parece que, quanto maior a mobilidade, menor a dor lombar. Em 1990, Mellin investigou a mobilidade espinhal e de quadril em estudantes jovens - 55 homens e 48 mulheres. Aproximadamente metade a amostra tinha dores lombares e foram comparados com os participantes sem dores lombares. Nos homens com dores lombares, a extensão, flexão lateral e a soma da mobilidade da coluna lombar e flexão do quadril e rotação externa dos ombros foram significativamente menores. Nas mulheres com dores lombares, a extensão e a soma da mobilidade na coluna torácica e a extensão, a rotação externa e a soma da mobilidade nos quadris foram significativamente menores.

Também existem estudos testando se programas de treinamento para melhorar a mobilidade do quadril também reduzem os níveis de dores lombares. Recentemente, Winter e colaboradores (2015) avaliaram o nível de eficácia que diferentes tipos de exercícios direcionados ao quadril tiveram sobre a dor e a função em indivíduos com dor lombar crônica ou recorrente com pouca mobilidade de rotação do quadril concomitante. Trinta participantes foram divididos em três grupos de exercícios: alongamento de rotação do quadril, alongamento multidirecional do quadril e fortalecimento do quadril. Todos os grupos participaram de um programa de exercícios em casa de seis semanas. Dor (escala de avaliação numérica), incapacidade funcional (Questionário de Incapacidade de Oswestry Modificado; MOD) e medidas de rotação do quadril foram avaliadas no início e após a intervenção. Os resultados revelaram que todos os grupos de exercícios foram eficazes na melhora da dor e função lombar. As comparações entre os grupos revelaram que o fortalecimento do quadril foi mais eficaz do que os exercícios de rotação do quadril para melhorar a função lombo-pélvica. A maioria dos participantes em todos os grupos (60-70%) demonstrou melhorias na dor, mas apenas o grupo de fortalecimento do quadril teve a maioria dos participantes (80%) exibindo melhorias clínicas na função.

Portanto, os estudos mencionados contribuem com o pensamento de que o fortalecimento e a mobilidade geral e específica (quadril e coluna) são fatores importantes para considerar quando prescrevemos o treinamento para diferentes populações, muito especialmente para pessoas com dores lombares.


📚 Referências:

  1. Avman MA, Osmotherly PG, Snodgrass S, Rivett DA. Is there an association between hip range of motion and nonspecific low back pain? A systematic review. Musculoskelet Sci Pract. 2019 Jul;42:38-51. doi: 10.1016/j.msksp.2019.03.002. Epub 2019 Mar 30. PMID: 31030110.

  2. Mellin G. Correlations of hip mobility with degree of back pain and lumbar spinal mobility in chronic low-back pain patients. Spine (Phila Pa 1976). 1988 Jun;13(6):668-70. PMID: 2972070.

  3. Mellin G. Decreased joint and spinal mobility associated with low back pain in young adults. J Spinal Disord. 1990 Sep;3(3):238-43. PMID: 2151988.

  4. Winter S. Effectiveness of targeted home-based hip exercises in individuals with non-specific chronic or recurrent low back pain with reduced hip mobility: A randomised trial. J Back Musculoskelet Rehabil. 2015;28(4):811-25. doi: 10.3233/BMR-150589. PMID: 25736957.

Texto por

Rafael Grazioli

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